segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Análise do Gato de Botas 2: O último Pedido



Sabe aquele companheiro do Shrek, que começou a aparecer no segundo filme, e todo mundo ama ele desde que aquele filme estreou porque ele é fofo?

Pois é, tá nos cinemas o segundo filme do Gato de Botas.

Caso não se lembre do primeiro, não se preocupe, se esse filme não tivesse um dois eu mesmo não teria lembrado. Na versão americana nem tem o número 2. Só me lembro de ter um cara lá que era um ovo, e tinha galinha que produzia ovos de ouro. 

Olha, tem tão pouca referência ao primeiro filme aqui que você não vai se perder sem assistir. O máximo que serviria seria para entender melhor a personagem, Kitty, que aparece lá também, e mesmo assim ela é perfeitamente ok de compreender mesmo assim.

O filme também tem referências aos filmes do Shrek, embora tenham mais teor nostálgico, incluindo uma armadilha emocional para fazer tu ir ao cinema assistir um possível Shrek 5, já que parece que se passou tempo o bastante para todo mundo esquecer que o terceiro e quarto foram decepcionantes.

Acho que também não existe nenhuma referência a série da Netflix, o que considerando que ninguém parece ter visto e a própria série é bem medíocre, nada de valor foi perdido.

Então, se sente que perderá algo sem assistir os outros filmes ou coisa assim, não se preocupe e vá em frente.

Agora, indo direto ao assunto.

Eu não gosto do Gato de Botas. Muita gente gosta por ele ser fofinho e gostar do jeito de galanteador mexicano, mas não funciona para mim. As presenças dele nos filmes do Shrek era tão fracas que pessoal precisa criar teorias como que ele ter se submetido ao Shrek no segundo filme foi tudo um plano para ter uma boa relação com o futuro monarca de Tão Tão Distante. Só tendo um problema, nada no filme sustenta essa teoria a não ser a vontade dos fãs dele de acreditarem nela. A presença dele naquele filme foi só pra ter uma intrica tosca com o Burro que simplesmente se resolve no final do filme.

Sério, tirando o fato de ter umas piadas bobas e ser fofinho, ele não tinha qualquer substância. Até peguei um certo ranço com o personagem, porque Shrek e Burro possuem uma química tão melhor quando é só os dois.

Aí teve o primeiro filme focado no personagem, que tentava dar mais substância. Inserindo a história de origem, e colocando ele como um aventureiro que protege os inocentes de autoridades abusivas. Era ok, e até encaixava com a personalidade mais caótica que ele demonstrava ter nos filmes do Shrek. Embora isso me faz questionar porque ele aceitou assassinar o Shrek, sem nem ao menos perguntar qual seria o motivo antes. Não me parece coisa de uma pessoa que desaprova abusos de autoridades, principalmente quando o pedido veio de um rei.

O primeiro filme dele no geral é ok, embora seja bem esquecível.

Então, após uma década, a DreamWorks decide elaborar uma continuação. Minhas expectativas não eram exatamente as melhores com já posso ter deixado claro. Então, surge uma cambada de pessoa mencionando o quão bom esse filme era, sendo o melhor filme da DreamWorks desde Shrek 2. 

É uma frase bem forte considerando que nesse meio tempo, tivemos filmes como Megamente e Kung Fu Panda. Claro, a ideia que poderia ser só hype e que daqui a alguns meses o pessoal esqueceria ele era real. Contudo, considerando que as cenas que eu via pareciam legais e Os Caras Malvados me fizeram ter mais fé no estúdio, tentei dar uma chance.

E antes de falar do filme, devo falar da animação, que vem sendo a coisa mais discutida. Ela é a mesma utilizada em Aranhaverso, o filme que fez o pessoal ficar impressionado com a ideia que a Sony pode fazer animações boas.

Então o filme é bastante estilizado, colorido, e como pode ser óbvio, as cenas de ação são absurdamente insanas, sendo um belo espetáculo visual.

É um formato que apoio e pode levar a muitos filmes interessante ainda. Contudo, eu não apoio o uso dele em Shrek 5 como já foi aberto a possibilidade, por motivos que não acredito que funcionaria com o personagem e seu universo.

Shrek, como muitos lembram, é uma desconstrução dos contos de fada, e faz um bando de analogias com o mundo real e os famosos. Tão Tão Distante é Los Angeles caso não tenham percebido.

E o estilo mais realista funciona com essa proposta, na verdade, é o estilo mais ideal para esse tipo de filme. Se fosse pra fazer uma comparação, o mundo medieval dele tá mais próximo de um Witcher que o de um J-Rpg. Apesar das criaturas mágicas e outros elementos fantasiosas, ele é até bem pé no chão.

Um estilo mais exagerado e estilizado como o apresentado em Gato de Botas 2 não seria o ideal em minha opinião, e até acho uma péssima ideia. Esse formato de animação tem seu lugar, não é a resposta para todas as animações.

Dito tudo isso, o filme em si, é bem legal, e as pessoas não tão erradas em gostar dele. 

Terá um certo grau de spoiler a partir de agora em diante, então se tiver interesse em assistir, melhor parar agora.

Falando sobre o filme em si


O Gato de Botas tá genuínamente gostável nesse filme, porque o filme tenta mostrar um lado mais "humano" do personagem. Ele mostra que todo esse jeito de aventureiro e quem não teme o perigo partia do fato que ele sempre podia confiar que as vidas extras de gato dele evitariam sua morte. Meio foda meter que o gatos tem vidas extras não irônicamnete após tantas obras, mas ok. E que agora que está na sua última, ele tenta se aposentar porque a morte agora estava próxima.

No meio tempo em que esteve aposentado ele descobre sobre uma estrela que poderia realizar um desejo, podendo assim desejar que suas vidas extras retornassem. Então junto com seu novo companheiro tapado e bem intencionado, Perro, eles viajam em busca desse desejo. No meio dessa viagem eles se encontram e se unem a já mencionada Kitty. E precisam disputar com a cachinho dourados e os três ursos, e um cara lá malvado chamado Jack Horner, para ver quem chega na estrela dos desejos primeiro.

O filme todo é uma grande caça ao tesouro, mas que fica apelando para o emocional, com êxito nessa área. Esse filme quase me fez chorar enquanto contava a história da Cachinhos Dourados.

Tudo isso tem um próposito na narrativa, que é auxiliar na mensagem do filme. A mensagem não é mais original do mndo, é só "valorize as pessoas que tem ao seu lado e não se acovarde pois se vive uma vez". Essa que é a mensagem do filme. Possívelmente entra fácil no top 5 mensagens mais jogados em filmes infantis. Contudo, esse filme executa ela bem. 

Um filme ruim/medíocre apenas colocaria discursos superficias e manipulativos para fazer você comprar essa mensagem, enquanto as ações e eventos do filme em si não auxiliam ou até contradizem o que o filme  tenta dizer.

Os exemplos que posso dar é Toy Story 4 com o Woody reclamando da Bonnie não querendo brincar com ele, mas aí ela brinca em certa cena, e o filme nem parece que percebe isso.

"Aí, John, o Woody não sacou porque a ideia de não ser importante tava tão grudado em sua cabeça que ele não percebeu"

Sim, cara, ele recebe justamente o que tava desejando muito que acontecesse, e não percebeu. E isso era tão óbivo que o filme com toda a certeza até referencia essa cena posteriormente e tenta abrir discussão sobre isso. Sim, amigo, vacas voam também. 

Um outro exemplo ainda pior é o filme do Emoji que a lição era que ser diferente é bom, mas foi o protagonista ser diferente que quase mata todo mundo para inicio de conversa.

O filme do Gato de Botas 2 todos os personagens apoiam essa mensagem. A Kitty tem medo de revelar seus verdadeiros sentimentos, a Cachinho Dourados foca tanto em retornar a família humana que ignora a família urso que a ama e apoia, Jack é a antítesse de tudo que o filme tenta ensina e mostra o que acontece quando se opõe a essa lição.

O Gato de Botas mesmo é um grande exemplo. A ideia de morrer e tudo que ele amava ser perdido o pertubou tanto que ele tem quase o equivalente a um transtorno de estresse pós-traumático no filme.

Não estou exagerando nessa última parte.

Esse filme sabe balancear bem quando ser mais descontraído e quando ser mais maduro. Você já viu aquele vídeo de um episódio antigo de Tom & Jerry que o Tom vai para o céu e lá ele encontra três filhotes de cachorros presos dentro de um saco molhado, dando a entender que o dono deles jogou eles num rio e os filhotes morreram no processo? Pois é, esse filme tem uma piada semelhante. 

Acho que se fosse pra apontar um defeito no filme que realmente incomodou, seria que no final das contas o stauts quo do Gato é o mesmo antes desse filme. O fato dele não querer compartilhar sua vida com os outros não era algo que existia no primeiro Gato de Botas, que a única razão dele estar 'sozinho" lá era porque ele era foragido por um crime que não cometeu. E nos filmes do Shrek, ele nunca demonstrou ter problemas problemas em ser amigo do Shrek, e até mesmo do Burro apesar das implicâncias.

Dá para argumentar que são outras obras, e por isso seria injusto comparar, mas quando o próprio filme fica lembrando esses filmes, é difícil não fazer.

E o de temer riscos, a coisa da nove vidas só é mencionada nesse filme, então ninguém presumia que nos filmes anteriores que ele se arriscava por saber que o risco de morrer era nulo. Você pode criar na sua cabeça que na verdade é, mas não pode argumetar que obras de 20/10 anos atrás, que seus criadores tinham isso em mente quando não tinha nada corroborando isso nas obras em si.

Fazendo mais comparações, é só lembrar como o Shrek no primeiro filme começa sozinho, achando ques er sozinho era melhor, e no filme percebe como ter companhias era muito importante para ele. E como esse progresso se mantém nos filmes seguintes.

Não arruina a mensagem do filme, mas enfraquece um pouco o que ela tenta disser. Parece que os criadores não queriam alterar o personagem porque tinham medo que uma mudança mais substancial poderia afastar quem gosta do personagem, e dificultaria para meter ele num próximo filme.

Se for analisar como filme solo, como alguns podem estar disposto a fazer, funciona bem, mas se não for, tem isso.

Não podia não mencionar o personagem que realmente vem roubando a atençao. O Grande Lobo Mau.


Oh yeah! O personagem que a cada 10 pessoas que gostaram do filme, 11 pagam pau.

O nível chegou a um grau tão absurdo que tão considerando o melhor antagonista que a Dreamworks já criou. 

E ele ainda foi dublado pelo Wagner Moura, o mesmo que fez o Capitão Nascimento em Tropa de Elite. Não, não estou falando da dublagem brasileira  do filme, ele dublou a versão americana do personagem, a original. A voz oficial dele é do Wagner Moura. (Só esperando o inevitável dia que faram uma arte com o personagem usando roupa do Bope).

Sobre o personagem em si, eu não sei dizer se é o melhor antagonista que a Dreamworks já fez, mas eu genuinamente gostei dele. Em parte, porque ele agrda aquele meu lado que curte coisa sombria e medonhas.

Ele genuínamente gera tensão nas cenas e você consegue entender bem porque raios o Gato teria tanto medo dele.

Mesmo assim ainda discordo das pessoas que defendem que ele deveria ter recebido mais destaque no final. Ele é legal, mas o Jack tem bem mais relação com a mensagem do filme em comparação que o Grande Lobo Mal, que em geral só serve pro desenvolvimento específico do Gato de Botas.

Concordo que não é um vilão tão interessante, mas funciona melhor pra proposta do filme.

É isso. Tudo que queria dizer sobre o filme foi dito.

As cenas de ação são lindas, os personagens são legais, o humor é bom. O enredo é decente o bastante e não possuí nada ruim ao ponto de me fazer virar meus olhos para trás.

Resumindo, ele é legal. Ainda acho o Pinóquio do Del Toro a melhor animação de 2022, mas esse aqui é perfeitamente respeitável. Sendo um ótimo filme da DreamWorks.

Só não acho o 10/10 que o pessoal tá achando.

Boa semana a todos, e espero que tenham gostado desse artigo.

Até a próxima.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Relembrando Medievil 1 e 2

 


Começando o ano falando de uma das minhas franquias favoritas de todas, Medievil, com seus incríveis quatro jogos, dos quais três são versões diferentes do primeiro. 

Yeah, Medievil 1 teve três versões. A primeira original de 1998 no PS1. A segunda que é uma reimaginação do primeiro lançada no PSP, lançado em 2005, com certas mudanças que dividiram os fãs, principalmente relacionado ao seu humor peculiar. E por fim, o remake lançado em 2019 que tentava ser mais fiel ao jogo do PS1 só que com uma jogabilidade mais polida e câmera menos horrenda.

Então temos o cenário bizarro onde existem mais versões do primeiro jogo que sequências propriamente ditas. Te faz pensar.

domingo, 1 de janeiro de 2023

2022 o que eu achei interessante




Vocês lembram quando fiz aqueles dois artigos sobre o que gostei e não gostei lá em 2018, e como nunca mais repeti por escrever raramente aqui? Pois é, isso continuara uma coisa, porque dessa vez só farei um artigo das coisas que gosto, pois preguiça.

2022 foi um ano um pouco mais intenso que o normal, principalmente a segunda metade, por isso parei nesses últimos meses, então não deu para acompanhar tanta coisa assim, então se sentir que saiu algo interessante em 2022 que eu não mencionei, eu possivelmente não vi (ou me esqueci quando escrevi isso).

Esse artigo seguirá as mesmas regras dos artigos de 2018, significando que apesar do 2022, terá obra de outros anos aqui que eu só consumi em 2022.

Ouriço azul em todo canto



Teve um bocado de coisa pro Sonic nesse ano, e como todos lembram, eu gosto do personagem. E fico feliz em falar que estou satisfeito com como a franquia se desenrolou nesse ano.

Como mencionei no filme do Sonic 2, o filme é um bom filme pra passar na Sessão da Tarde. Tendo um pouco mais de ênfase em elementos dos jogos e uma mensagem sobre família como todo bom filme infantil.

A relação do Sonic com Tails e Knuckles é legal, mesmo o Tom e a Maddie não participando tanto no filme, a participação dos dois também é interessante. Jim Carrey sempre é motivo pra ao menos ter curiosidade. E acabou mostrando que a Universal ter feito algo decente com Sonic lá em 2020 não foi só um golpe de sorte, conseguindo fazendo até um filme melhor, me deixando até ansioso pelo terceiro filme.

Mas por favor pessoal, ele não massacrará Avatar 3, parem de ser estúpidos.

Teve o Sonic Origins, o maior fiasco dá franquia nesse ano. Além de ser a milionésima coletânea de jogos principais do Sonic clássico de novo, a Sega colocou um preço completamente surreal na coletânea, e nos outros jogos da Steam.

Raios! Todo jogo do Sonic recebeu um aumento no preço. Sonic Generations tá sendo cobrado por 100 reais! Um jogo de 2011! Compara com qualquer outro jogo que saiu aquele ano e veja se tem algum com esse mesmo preço.

Mas ok, essa coletânea apesar de ser mais uma coletânea de Sonic clássico pouco necessária por já ter muitos fan games de Sonic direcionados a tornar Sonic clássico melhor como Sonic 3 AIR, ainda pode ser uma boa pra quem vá começar. Tendo novidades como o glorioso widescreen, as cenas de introdução para cada um dos jogos que são bem bonitas, acrescentaram umas missões extras que existem. É melhor que uma coletânea média até o momento que você vê que Sonic 3 é completamente bugado e uma abundância de músicas foram substituídas pelas versões do protótipo. Que a Sega por algum motivo pegou uma versão em qualidade ruim, mesmo as Blue Spheres tendo a melhor versão delas???

Então o negócio é caro, não oferece nada realmente relevante e novo, e a Sega conseguiu ferrar Sonic 3, que era o jogo que mais precisava de uma nova versão oficial em widescreen. Incrível!

Sonic Prime que era a mais nova série do Sonic (e já fez minha lista com séries do Sonic envelhecer mal), teve seus primeiros 8 episódios lançados na Netflix a duas semanas.

A série é ok… ela é bem infantil e não tem pretensão nenhuma de ser algo além disso. O que me fez questionar como raios teve gente achando um problema o dublador brasileiro do Sonic, Manolo Rey, parecer muito bobo. A série em si, é boba, que versão de Sonic Prime “serious bussiness” é essa que vocês viram?

E um detalhe importante a ser mencionado, dublagem brasileira da série completamente zuada. Os caras usam uma porrada de termo em inglês sem necessidade como rings, mesmo anéis sendo a tradução que todo fã usa desde sempre. Mas acho que o pior foi Esmeraldas Chaos, isso doeu na alma.

Tirando essas coisas, a série é perfeitamente assistível, e até tem uma animação bacana.

Ironicamente a série tem até seu próprio Chris Thorndyke, que seria o Tails edgy. Aquele Tails que todo fã de Sonic babou ovo com aquela cena dele interagindo com o Sonic. Eu sei porque fui um deles.

E falo que ele se assemelha com o Chris porque ele é bem aficionado pelo Sonic, e só dar valor a ele. Exceto que diferente do Chris tem justificativa boa para isso, considerando que o Sonic foi a única pessoa a ser legal com ele e mostrar que se importa. Isso sem considerar que esse Tails é bem útil.

E aproveitando esse momento que falo que Sonic Prime fez algo melhor que Sonic X, pra dizer que apesar de não ser lá essas coisas, ainda é melhor que Sonic X.

Sonic Triple Trouble 16-Bit foi a grande surpresa dese ano. Um fan game reimaginado o clássico Triple Trouble como um jogo 16 bit clássico do Mega Drive, ou mais corretamente, essas versões definitivas que Sonic 1 e 2 receberam no Android. E o resultado é um jogo fantástico! Melhor jogo do Sonic nesse ano! Talvez melhor fan game que o Sonic já teve. O criador introduziu várias mecânicas novas além de elementos de Sonic 3 como as cenas entre fases.

Se fosse para apontar um único defeito nesse jogo é que ele é bem curto, mesmo em comparação com os clássicos, o que nem é tão culpa do criador do fan game, já que Triple Trouble original também era curto.

Triple Trouble 16-Bit é o exemplo a ser seguido quando se trata de fan game. Emulando Sonic clássico com perfeição, parabéns para os envolvidos.

E finalmente, Sonic Frontiers.

De tudo relacionado a Sonic nesse ano, isso era o que eu queria e achava que a franquia realmente tava precisando, um bom jogo 3D do Sonic.

E a Sega conseguiu, finalmente após uma década.

Não estava muito negativo com a qualidade do jogo como alguns. Mesmo aquela apresentação do cara da IGN que geral odiou por ele não ter jogado bem não me incomodou, porque aquilo era mais próximo de como as pessoas iriam jogar o jogo no início mesmo, então me pareceu uma apresentação honesta.

O jogo lançou, acabou sendo na maioria o que eu esperava. Tiveram algumas surpresas. Esperava que os estágios iam ser o ponto forte e o mundo aberto ia ser fraco considerando que ia ser a primeira tentativa, mas não, foi o completo oposto. As fases fechadas desapontaram, principalmente porque a Sega reutilizou o level design de jogos anteriores para fazer a maioria das fases, com as últimas sendo um pouco mais originais. E o mundo aberto tem um bom bugado de exploração e genuínos momentos de criatividade dos criadores.

Claro que ainda tem muito a ser melhorado nesse mundo aberto. Poderia ter uma dependência menor em trilhos, apesar desse jogo, tirando SA2, ter sido o que mais os utilizou interessantemente. Uso de físicas e momentum. Muita interação no mapa acabam te levando para alguma direção que você não tava querendo. Os combates sendo a grande novidade, e de certa forma, o melhor combate que já teve num jogo do Sonic, ainda é bem simples e fácil.

E não acredito que preciso falar dos elementos do cenário aparecendo do nada na tela, já que até quem endeusou o jogo reconhece que esse jogo tem severo problema nessa área.

Mas de tudo isso, o que possivelmente mais cativou foi o tom da trama. Como todo fã de Sonic sabe, a última década foi marcada por jogos muito voltados para o público infantil e na comédia (uma comédia ruim por sinal). Isso deixou muitos fãs com um gosto ruim, principalmente quem gostava do Sonic mais sério dos anos 2000. Então Frontiers aparece prometendo consertar isso.

Falando do melhor primeiro. Frontiers tem possivelmente a melhor caracterização que o Sonic e amigos tem em muito tempo, e com certeza as melhores expressões faciais da franquia, tornando essas interações bem mais interessantes de acompanhar.

A história em si? Ela tenda explicar a origem das Esmeraldas do Chaos e tenta interligar os jogos. Ela com certeza é pior do que tu esperaria, ela com certeza contradiz alguns jogos, principalmente o Unleashed. Sega tá tentando tornar uma franquia inconsistente simplesmente dizendo que tudo é canon, fazendo os personagens referenciarem tudo que aconteceu ao longo dos 30 anos da história da franquia. Não ia dar certo, mas para muitos foi o bastante para ter esperanças em história boa no futuro.

Minha visão do jogo não foi a obra-prima que muitos fãs de Sonic enxergam, mas um bom passo para o rumo certo. Como o filme do Sonic 2, me deixou ansioso pelo que pode vir no futuro, principalmente pelos bons números de venda, que devem dar mais segurança pra Sega investir mais na franquia. Coisa que não vêm acontecendo desde o fracasso de Sonic Boom.

Em geral, foi um ano legal para o ouriço. Nada realmente vergonha alheia como 2017 com Sonic Forces, e saíram umas boas pérolas disso tudo.

Filmes que eu lembro no momento



Não assisti a filmes lançados em 2022, pois não teve muita coisa me animando. Tirando Sonic 2, mencionado na lista anterior, os filmes foram Top Gun: Maverick e Northman, não incluindo as animações que estarão logo abaixo.

Maverick é um dos melhores exemplos de continuação de uma obra clássica feito do jeito certo. Entenda e celebra o que a obra original era, enquanto até melhora certas coisas do filme original. Top Gun original tirando as cenas nos jatos é chato, eu dormi assistindo ao filme, os personagens e a trama simplesmente não são interessantes.

Aí o moderno vem trazendo o Maverick mais velho tendo problemas pra se ajustar a uma realidade em que ele não importa tentando se perdoar pela morte de um companheiro, enquanto treina o filho desse mesmo companheiro. E esse tipo de coisa se reflete um pouco em todos os personagens que, em geral, tem personalidades carismáticas, mesmo sendo simples. O filme tem um fator emocional legal nesse filme, até utilizaram o câncer real do Val Kilmer como parte do personagem que ele interpreta, o que é bacana.

E caso se perguntem, as cenas dos jatos são incríveis, e me fez lembrar o quão batalhas aéreas podem ser intensas e estimulantes.

Northman é uma simples história de vingança, mas raios! O filme não se contém nem um pouco. É sujo, brutal, depressivo e direto ao ponto. Se tu não quer ver uma jornada destrutiva de um homem rumo a situações bem infelizes e pesadas, culminando num confronto final épico entre dois homens que perderam tudo, não veja esse filme.

Caso não seja esse tipo de pessoa, assista, é excelente.

Foi tudo que lembrei nesse ano, e não tenho nada de anos anteriores que não já tenha assistido em anos anteriores.

Agora os seriados


A lista de seriados foi um pouco mais interessante neste anos. Os seriados são Além da Imaginação de 1959, Star Trek série original, Sopranos e The Orville.

Três das quatro são bastante focadas em questão morais/éticas com ficção cientifica, deu para identificar minhas preferências com essa.

Começando pela série original de Star Trek, porque ela não envelheceu da melhor forma que deveria se esperar de uma série dos anos 60. Não vou mentir, muitos dos temas são bobos atualmente e os efeitos com certeza devem ter sido impressionantes na época, mas não hoje em dia. Os filmes da série original envelheceram bem melhor, e você com certeza deveria começar, caso tenha interesse no universo, assistindo Nova Geração.

Inclui Star Trek de 66 por um único motivo, eu genuinamente gostei da vibe que ele passa. Como as obras no passado eram, e observar o início de uma franquia que gosto me fez refletir com a indústria evoluiu com o tempo. Ver as aventuras do Kirk e Spock ainda lá no início, quando provavelmente os criadores nem sabiam que Star Trek ia ser tão duradouro. Entender melhor certas menções contidas nos filmes, inclusive o primeiro encontro deles com o Kahn me gerou a sensação de finalmente tudo estar fazendo sentido mesmo não sendo complicado.

A segunda série, Além da Imaginação (1959) diferente de Star Trek, envelheceu bem melhor, e se você não se importar em ver uma obra em preto em branco, eu não teria problema em recomendar para ninguém.

Todos os episódios lidam com uma ideia fora do comum. Alguns hoje em dia não tem conceitos tão estranhos, principalmente porque muita obra nos últimos 70 anos se inspiraram nessa série, seja pra parodiar ou apenas demonstrar carinho por ela, e outros vão te fazer pensar como provavelmente fizeram lá na época.

Ele não tem um tom específico. Certos episódios são quase tramas de terror, algumas são comédia pura, e outras praticamente são obras de amor. Tudo que conecta todos eles são o absurdo delas.

Sopranos como todas já devem saber, foi a série de família da HBO que fez imenso sucesso a 20 anos atrás, e pra muitos é uma das melhores séries de todos os tempos. Demorei pra assistir à série porque eram muitas temporadas e eu tenho problema em ver séries por achar que elas possuem muita encheção de linguiça.

Como toda série da HBO ela tem aquele charme de realismo com o absurdo que realmente pode acontecer na realidade, voltado a um pai de família que é chefe da máfia italiana em Nova York. A obra não é exatamente como os filmes italianos como Poderoso Chefão, e a própria série tem uma noção disso, explorando a ideia do Tony tentando ser esse tipo de mafioso, quando ele não é. E muito da trama se desenrola a partir disso.

É uma trama bem escrita, os personagens são bons, e uma nova visão sobre a máfia italiana pra quem não curte muito a versão idealizada. Máfia não é o meu tema favorito, mas Sopranos é bom o bastante para me ter feito perder trocentas horas assistindo todos os episódios de uma família disfuncional italiana.

E finalmente, a única série desse ano… mais ou menos. As duas primeiras temporadas de Orville não são de 2022, mas a mais recente terceira é, e ela é ótima. Caso não conheçam, Orville é uma série semelhante a Star Trek, no sentindo de ser uma obra sobre um futuro otimista onde a humanidade interage com várias espécies no universo, e tenta resolver todos os conflitos de forma diplomática.

Eu tinha minhas dúvidas sobre a qualidade da obra a princípio, já que quem criou isso era o Seth MacFarlene, que caso não saibam, criou Uma Família da Pesada. Não gosto de nenhuma das animações dele, e considerando isso achei que só ia ser uma comédia besta com o cenário de Star Trek. O próprio Seth ia protagonizar a série, então minhas expectativas tavam baixas.

E fico feliz por errar nessa. Descobri que Seth é um fã enorme de Star Trek, e assistindo à série, fica óbvio que o cara entende o espírito da coisa. Apesar de o início da primeira temporada ser mais a comédia esperada dele, a série se torna 100% Star Trek em sua essência bem rápido, e não tenho vergonha em dizer que adquiri um certo respeito pelo cara após essa.

Orville faz um trabalho tão bom que fico até triste de terem recusado que ele trabalhasse com as novas séries de Star Trek, que não me empolgam o mínimo para assistir pelas coisas ruins que vejo e ouço delas. Pelo que lembro, ele precisou mentir sobre as reais intenções de Orville para conseguir convencer o estúdio a deixá-lo criar a série, o que mostra que ele tava realmente a fim de fazer algo semelhante a Star Trek, e que ele genuinamente ama e respeita o material.

Não apenas encontrei uma ótima série que aprecio, mas também dou mais respeito para uma cara que não tinha o mínimo respeito antes, o criador de Uma Família da Pesada…



Ainda acho as animações dele uma droga.

E por falar em animações…

Animações foram com certeza uma coisa


A primeira animação que mencionarei é os Caras Malvados porque é a coisa mais antiga que me lembro de ter apreciado nesse ano.

A Disney não vêm me impressionando com suas animações já faz uns anos, e mesmos as melhores eu não lá essas coisas. Então a Dreamworks aparece com um filme que não parece que foi feito com a banda, uma animação legal, e parecia que ia ter um pouco mais de ênfase em ação e não comédia. Me pareceu bacana.

Como os trailers talvez tenham deixado claro, se trata de uma equipe de golpistas profissionais, e animais antropomórficos, sendo um grande problema na cidade que vivem. O último assalto dá errado é na tentativa de não serem preso eles aceitam passarem por um processo de reabilitação supervisionado pelo filantropo mais renomado da cidade.

O que faz o filme dar certo para mim, é que ele executa bem a ideia desses filmes com equipe de ladrões. A química entre os protagonistas e os plot twists são insanos.

Não insanos no sentido que não fazem sentido, mas no sentido que faz você dizer “OHHH!!!” 

É bem coisa QI 300, e isso é uma grande diferença.

O Dragão do Meu Pai. Esse filme me pareceu que ia me desapontar. Ao invés do protagonista ir se ajustar a uma nova realidade na cidade que não parecia amistosa, ele vai para uma ilha misteriosa. Talvez seja sacanagem minha reclamar considerando o nome do filme, mas a ideia dele tentar encontrar companheiros e se ajustar a esse ambiente tão deprimente me parecia algo que deveria ter mais em animações. E esse filme me pareceu que poderia fazer isso.

Quando ele finalmente encontra o Dragão, o bicho tem aquela personalidade, aquela de jovem tapado tentando ser legal.

Então, minhas expectativas não tavam altas.

Entretanto, o filme conseguiu recuperar minha atenção lá pelo meio, quando finalmente peguei qual era o ponto do garoto naquela ilha. E funciona bem para desenvolver a lição que o filme tenta passar sobre reconhecer suas limitações e amadurecer.

Os personagens possuem justificativas boas para fazerem o que fazem. Até o vilão apresenta uma razão boa para ter aprisionado o Dragão no início do filme.

Ele tem uma vibe semelhante a filmes da Disney nos anos 90 só que sem os musicais.

Pinóquio do Del Toro porque teve três filmes do personagem nesse ano, por algum motivo que já devem ter ficado carecas de saber já que todo mundo comentou como essa coincidência bizarra aconteceu. Ouvi teorias sobre o da Disney ter saído para rivalizar como o do Del Toro, mas nada realmente concreto, e não tenho explicação alguma pro Pinóquio russo.

Mesmo tendo sido o último dos três a ter sido lançado, foi de longe o mais bem recebido, o que não é estranho ou inesperado, considerando que o Del Toro é um diretor bem respeitado no meio e possui um bom histórico de filmes.

Diferente do Pinóquio original, esse se passa na Itália sob o regime fascista do Mussolini, aquele baixinho que era aliado do Hitler, e todo mundo esquece que existe mesmo sendo o “pai do fascismo”, pelo menos como as pessoas conhecem. Até aquela parte com a ilha onde as crianças se tornando burros foi transformado em um acampamento juvenil para tornar crianças em soldados. 

Pois é.

Apesar de o filme ter alterado substancialmente o cenário que a narrativa se passa e certos eventos, ainda é a história de um garoto de madeira aprendendo a ter uma bússola moral e conseguir ser uma criança de verdade. A ideia é bem executada nesse filme mesmo tendo certas liberdades artísticas como o Gepetto tendo outro filho antes do Pinóquio.

Ele é um daqueles utilizando técnica quadro-a-quadro, onde todos os personagens são feitos de massa de modelar, e a cada frame de cena é preciso alterar a posição deles. Isso, como talvez alguns não saibam, é difícil e exige muito trabalho, então já respeito os visuais só por isso. Considerando que quem tá dirigindo é o Del Toro, que provavelmente de todas suas obras, a parte mais famoso é justamente a estética, yeah… já deu pra imaginar que na parte visual esse filme é ouro.

Provavelmente minha animação favorita de 2022.

E por fim, um filme que não é de 2022, no entanto, sua história e produção me interessaram bastante nesse ano. The Thief and The Cobbler ou O Cavalheiro das Arábias. Esse filme era um projeto do animador Richard Williams que vinha sendo planejado desde a década de 60. E que finalmente recebeu uma versão para os cinemas apenas na década de 90.

Mas não é da versão dos anos 90, mas sim a versão que está no YouTube feita por pessoas utilizando seu tempo livre para tentar restaurar a visão original que o Williams tinha do filme. Até hoje essa versão não tá concluída, o que significa que já tem umas seis décadas tentando fazer esse filme como tinha sido idealizado, e o Richard Williams nem se quer está mais vivo para ver isso.

Vale muito a pena ler a história da produção desse filme, porque ela é absurda.

Já deu pra perceber que a produção desse filme foi um inferno. E tem uma boa justificativa, o estilo de arte e animação que ele planejava era completamente insano. Cheio de várias técnicas visuais, na linha daquelas imagens que dão a sensação de profundidade que todos acham impressionante, que fazem sua mantém se embaralhar toda.

Esse filme também tem uma história, protagonizada por um ladrão e um sapateiro se metendo em altas confusões.

Boa parte dele é o ladrão tentando roubar e falhando miseravelmente e o sapateiro tentando ficar com a princesa e falhando miseravelmente também. Mais pra frente no filme o foco muda para o exército do cara de um olho, que quer destruir Golden City, onde os protagonistas estão. Pois é, talvez não seja a trama mais profunda do mundo, mas vai por mim, o charme do filme tá nas interações e na criatividade das cenas, porque a animação tá bem ligada aos eventos que acontecem.

Aqui tem um link para a versão mais recente que novamente ainda não está concluída.

Animações também tem séries


Tirando Sonic Prime não assisti nenhuma série de animação desse ano, o mais próximo foi Arcane que é 2021. Mas se até o Game Awards ignora esse fato, eu também posso.

Teve algumas animações que me interessaram como o Cyberpunk Edgerunners e a terceira temporada do Mob Psycho, que ainda planejo assistir em algum momento.

Arcane é possivelmente o mais próximo que terei de contato com League of Legends sem ser pra pensar que não dou a mínima, porque eu realmente não me importo com o jogo. Mas a série em si, é bem legal, e mostra que a França quando se trata de animação consegue fazer coisas bem mais interessantes que Ladybug.

A série acaba sendo a origem para muitos personagens dos jogos com bastantes questões políticas, embora o foco principal seja a relação problemática da Vi com a Jinx. Existem muitas tramas que ficam recebendo destaque uma hora sim e outra não que estão relacionadas até certo ponto entre si. Os personagens em si, tem objetivos bem distintos que são bem complexos, até para personagens mais secundários. 

Conflito de classes também é uma coisa que essa série tem, e que por sorte é bem executada. 

E muita discussão sobre até quando estão dispostos a sacrificar para chegar no objetivo, e como muitos erros são realizados por desconhecimento ao invés de malícia, sendo algo que eu genuinamente aprecio quando uma obra explora essa ideia.

Essa série me fez ficar interessado no universo de LoL, coisa que eu nunca pensei que ia rolar, ficarei até feliz quando sair a segunda temporada.

Outra série interessante que assisti e já tava planejando assistir a um bom tempo era Swat Kats, uma série da Hanna Barbera lá de 1993. Quando o pessoal pensa na Hanna Barbera, geralmente é algo mais bobo e descontraído como os Flinstones (embora já tenham protagonizado comerciais de cigarros nos anos 60) ou Corrida Maluca, coisas mais simples. Ninguém pensa num desenho edgy protagonizado por dois gatos num jato, que constantemente lidam com aberrações horrendas, que normalmente a série até mostra matando alguém.

Yeah! O bom tipo de série! Acredito que tenha sido a razão de ter sido cancelado antes mesmo de concluir a segunda temporada, mesmo fazendo sucesso. O que me deixa puto, muito puto.

Como Top Gun: Maverick, essa é outra que me fez pensar como cenas de ação em veículos aéreos podem ser fenomenais, já que a maioria delas acontecem justamente no céu.

É bem o tipo de coisa louca e exagerada dos anos 90, principalmente animes, o que sempre me lembra porque gosto tanto das animações dessa década. Parecia que os criadores realmente se divertiam criando a obra, e talvez seja uma das razões da tarem tentando reviver a série através do Kickstarter. Duvido que vá ver a luz do dia em algum momento, mas se conseguir, ótimo.


Jogos porque não podia não ter


Tenho uma lista imensa de jogos que joguei nesse início de ano que meu cérebro simplesmente apagou da minha memória. Os que consegui lembrar no momento são o Risen, que escrevi um artigo nesse ano.

Como vocês devem lembrar, apesar de ter achado que o combate tinha seus problemas e o jogo tinha uns bugs medonhos, principalmente na versão que joguei que era no Xbox 360. Gostei de como era o sistema de progressão de nível, com ele influenciando em novas habilidades ou dando acesso a armas melhores. Também gostava como o personagem ia progredindo e as possibilidades de exploração aumentavam no decorrer do jogo, coisa que acho que poucos jogos fazem tão bem quanto Risen.

Conheci a franquia Ys que é uma boa de RPG voltado mais a ação. Eu já tinha jogado um pouco de Ys III, mas esse jogo não é dos melhores, principalmente sua versão do Super Nintendo, então achei que a franquia era muito pior do que realmente era.

Ao invés de muitas outras franquias de jrpg com foco sempre num protagonista novo, em Ys quase sempre você joga com o bom e velho Adol. Lidando com a situação absurda dele salvando o mundo quase todo ano. 

Ver o protagonista ganhando uma reputação e mais reconhecimento no universo ao decorrer dos anos, dando uma sensação legal de continuidade e progresso entre os jogos, mesmo a história sendo independente entre cada um.

Gostei do combate oferecido pelos jogos, inclusive o que envolve ficar esbarrando nos inimigos, que não são muito bem vistos nem entre fãs da série. Ainda não joguei os jogos mais recentes, que aparentam serem mais semelhantes com a franquia Xenoblade, mas tá na lista.

Teve Amnesia: The Dark Descent. Outro jogo que olha só, também teve artigo nesse ano! É quase como se fosse uma tentativa de fazer vocês acessarem o máximo possível de links, aumentando as visualizações e interesse no blog.

Em questão de atmosfera e mecânicas, Amnesia é fenomenal. O jogo trabalha bem com a ideia do terror psicológico, não num sentido narrativo como SH2 infelizmente, mas muito bem na parte de jogabilidade, sempre gerando uma sensação de risco constantemente em várias tarefas, fazendo você mesmo se sabotar e atrapalhar todo esperando pelo pior que muitas vezes não acontece. Isso é uma coisa que falta em jogo de terror, principalmente porque quando tentam a execução é bem porca, e se torna uma tentativa tosca de meter jump scare constantes.

A coisa que me entristece é que Amnesia é um ótimo jogo, mas também levou a uma geração de jogos de terror apelativos com sessões irritantes de ficar esperando e se escondendo.

Nesse momento que falo de jogos relacionados a Sonic que é claro que ia ser uma coisa. Nesse caso Freedom Planet 2 e Spark 3, o primeiro sendo semelhante a Sonic 2D e o segundo aos 3D.

Ótimos jogos que vocês deveriam jogar, principalmente se curtem Sonic. Freedom Planet 2 tem melhor pixel art que uma caralhada de jogo, que diferente de vários outros indies modernos que se vendem pela nostalgia, realmente parece uma evolução ao que se tinha nos anos 90 e não um retrocesso. E Spark 3 mesmo tendo modelos 3D simples, é um estilo de arte até bem único, mesmo sendo ainda compartilhando uma estética semelhante aos outros jogos do criador, Lake Faperd.

Acima de tudo, os dois são divertidos de jogar, por gente que realmente entende como fazer jogo de plataforma voltado para velocidade, eu até diria que são melhores nesse aspecto que Sonic Frontiers (e bem mais barato também).

Os dois tem uma história insana, principalmente Spark 3, mas acho que fãs de Sonic tem dessas.

Quadrinhos com selo de qualidade


Esse ano tentei dar uma oportunidade a quadrinhos que eu não sou de ler tanto assim, mesmo incluindo mangas, para surpresa de alguns.

Então começando pela obra que começou o meu interesse em 2022, a do The Boys. Pois é, The Boys tiveram uma caralhada de vídeo falando o quanto a HQ é uma bosta, o que eu não concordo completamente. Tem vibe coisa edgy dos anos 2000, com piadas envolvendo merda e putaria em todo canto, ou extrema violência que apenas acontece, que muitas vezes você apenas se pergunta “por quê?”.

Contudo, teve tanta coisa que achei interessante, principalmente as críticas contidas na HQ relacionadas a indústria de armas, as tendências que se tinha nos quadrinhos na época, e várias outras questões e assuntos que a série da Amazon nem toca ou é muito mais superficial quando tenta abordar.

Até prefiro os personagens na HQ, em geral, também. Não me incômodo tanto com o “the boys são muito overpower” que muita gente crítica na HQ, porque eu não acho que uma trama deixa de ser interessante se não envolver os protagonistas apanhando e se ferrando 100% do tempo. Acho isso quase tão estúpido quanto protagonista Mary Sue, porque é literalmente vilão sempre tendo um plano mirabolante tirado do cu que torna ele um problema, e isso começa a se tornar previsível e irritante, e quando o herói finalmente vence parece que o vilão finalmente decidiu ser burro.

Concluindo, eu gostei da HQ, tem seus problemas, principalmente relacionado ao ritmo da trama, mas eu genuinamente gostei.

Outro quadrinho interessante foi Bone, que tinha expectativa de receber uma animação da Netflix, mas como sempre, Netflix foi a Netflix e não fez. Acabei conhecendo pelos jogos da Telltale, que fez dois jogos relacionados a obra lá nos anos 2000, antes da empresa ficar famosa.

A história resumidamente envolve três primos que fugiram de sua cidade natal, chamada Boneville. Um deles, Phoney, se envolve num drama que não agradou os moradores da cidade, e os outros dois, Smiley e Fone (protagonista), o ajudaram a escapar e agora rumam ao desconhecido. 

Os três param num vale, e bem, a situação no vale é complexa, e só vai ficando mais complexa, envolvendo rituais macabros e indo até disputas políticas.

Uma coisa que particularmente gosto é quando uma trama começa bem simples e vai se tornando cada vez mais confusa. Se criando cada vez mais questões e dúvidas que vão surgindo com o tempo. Não sei explicar a razão disso, talvez seja a ideia de ser um estranho que acabou se envolvendo em algo que tinha proporções não esperadas por acidente. Cada coisa que vai surgindo acaba sendo uma surpresa que faz você ficar buscando respostas, tentando adivinhar o que mais pode vir aparecer.

Eu falando como se Bone fosse algo talvez mais maduro e difícil de ler do que realmente é. Ele foi idealizado mais para um público mais jovem, e ele tem um grande foco no humor inocente até. O que de nenhuma forma é um demérito, Bone é ótimo para qualquer idade, inocente o bastante para o público infantil, e inteligente o bastante para os adultos.

Acho que acabei gostando porque é simplesmente uma boa história de fantasia mesmo.

Entrando na área dos mangas teve o Dragon Head.

Teve um momento nesse ano que tentei ler mangas voltados ao terror. E esse foi que mais ficou grudado em minha cabeça. Talvez a razão seja que o terror tenha vindo de um cenário de desastre natural, e não de um monstro ou um vírus, e todos os problemas que ocorrem acabam sendo consequência da falta de suprimentos ou pessoas perdendo a cabeça devido ao desastre.

A obra nunca chega a afirmar o que causou todo esse desastre, e nem chega a dizer até que nível o caos chegou. Não se sabe se o problema apenas afetou o Japão ou o mundo todo. Nem mesmo dá pra dizer se a causa é natural ou uma força desconhecida pela humanidade.

E isso acaba auxiliando na parte psicológica da obra. Uma das maiores questões é que os protagonistas não sabem absolutamente nada sobre nada. Não sabem se suas famílias estão bem, se o governo aparecerá em algum momento para ajudar, se vai ter algum lugar seguro que não foi afetado, cada um desses itens testando o psicológico deles.

Acho que é uma boa leitura para refletir como os sobreviventes que passam por situações semelhantes de grandes desastres, ficam pensando sobre o que estão passando. É uma abordagem interessante sobre obras de desastre que eu não tinha pensado tanto, e que se mostrou fascinante.

Outras obras interessantes que lembrei e a preguiça me impediu de falar:

Crysis 1 (jogo)
Quake 2 e 4 (jogos)
Planet Laika com patch de tradução que saiu a não muito tempo (jogo)
Wolfwalkers (filme de animação)
Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (filme)
Estranhos Prazeres (filme)
Tartarugas Ninjas de 2003 (série de animação)
Wonder Over Yonder (série de animação)
Nnewts (história em quadrinhos)
The Drifting Classroom (história em quadrinhos)
Don't Hug me I'm Scared (série)

Encerrando

A ideia era ainda entregar esse artigo em 2022, mas acho que não será um problema se for em 2023.

2022 acabou sendo um ano importante para mim, principalmente porque finalmente conclui o curso que vinha fazendo na faculdade antes mesmo de começar esse blog, então um novo arco da minha vida começou de certa forma.

Não prometerei nada para 2023, porque geralmente não consigo cumprir o que prometo, mas planejo manter a média de pelo menos um ou dois artigos por mês, porque não deve ser difícil cumprir.

Meu Xbox 360 não tá jogável no momento e estou dependendo muito do meu Android no momento para fazer as coisas, então fazer as coisas nesse blog será mais complicado. Mesmo assim, não tenho intenção de alterar muito meu foco de jogos para outras mídias porque gosto de falar mais deles mesmo.

Acho que era tudo o que eu tinha para dizer nesse artigo. Desejo feliz ano novo para todos que tenham lido tudo isso, e tenham um ano melhor do que tiveram em 2022.

Até a próxima.

sábado, 24 de dezembro de 2022

Relembrando Action Man: Operation Extreme




Após 84 anos, ou três meses conforme a data do último artigo, aqui estamos.

E qual é a melhor forma de comemorar o Natal que se aproxima? Discutindo algum especial de Natal como O Conto de Natal do Mickey ou um filme como Klaus? Nope! Falar sobre um jogo da infância que quase ninguém além de você lembra.

Action Man: Operation Extreme é um jogo que eu amava bastante na infância. Eu gostava bastante da vida de ultra espião que se infiltra em bases secretas e conseguia peitar qualquer inimigo que aparecesse. Raios! O jogo parecia a coisa mais madura e revolucionária de todas. Dava para pilotar vários veículos terrestres e em outra fase aéreos. Tinha missões as outras missões de infiltração que dava para solucionar quebra-cabeças, atirar em inimigos e lidar com armadilhas mortais.

Era quase como se eu tivesse jogando um filme do James Bond.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Porque Chris Thorndyke é odiado



Caso não saibam ou esqueceram, Chris é o garoto humano que acompanha o Sonic no anime Sonic X.


Antes que me perguntem, eu não vou defender o moleque, acho o ódio do pessoal por ele justo.


Mas como quase tudo na internet, o pessoal não faz exatamente o melhor trabalho em explicar porque raios ele é tão odiado pra inicio de covnersa. Resumindo muitas discussões a "Ele é chato" ou "Chris é um inútil". Não é errado, mas não faz um bom trabalho de explicar o que tem de errado no garoto.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

O terceiro filme do Bob Esponja

 



Não pretendo demorar muito com esse artigo.


Provavelmente muitos não devem lembrar, mas escrevi um artigo sobre a série a alguns anos, lá em 2019.


Naquele período a série tava recebendo muitas críticas sobre sua qualidade (o que não mudou).

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Avaliando Amnesia the Dark Descent (PC)

 


Eu me considero uma pessoa bem acostumado com o gênero de terror.


Tendo assistido e lido sobre várias obras focadas na área, eu acabo não ficando surpreso com muitas das obras que experimento.


Franquias como Dead Space que muitos colocam na lista de "mais assustadores" não conseguem tirar sensações como ansiedade, temor, imersão de mim a tal ponto de eu conseguir sentir alguma apreensão enquanto jogo. Não desmerecendo os jogos em si que são bons, mas não são exatamente o que eu chamaria de assustadores.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Avaliando Ys 1 & 2 Chronicles (PSP)

 



Para a minha infelicidade, a fonte do meu Xbox morreu, em outras palavras, sem jogos de Xbox aqui por algum tempo.


Mas nem tudo é derrota, e pode ser uma oportunidade pra falar sobre outros assuntos, como exatamente esse que vou falar agora.


Jogos de PSP! O portátil da Sony pra jogar GTA e God of War, em que não vou falar desses dois. 

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Falando sobre Sonic Frontiers porque me odeio

 



Como muitos já devem saber, Sonic Frontiers vai ser o mais novo jogo principal da franquia do ouriço. E muitas coisas foram reveladas sobre ele nesse último mês.


E como era de se esperar fã fanbase de Sonic, todo mundo começou a agir feito retardado, porque esse é o ruma das coisas nessa fanbase.

domingo, 19 de junho de 2022

Gear (1998)

 


As vezes a forma como tu encontra uma obra pode ser completamente inesperada. No caso da primeiro quadrinhos que vou falar nesse blog, foi aleatoriamente no YouTube.


Como muitos sabem, eu gosto de animações, e sempre tento encontrar alguma que possa parecer importante. E ocasionalmente vejo vídeos sobre algum.

sábado, 7 de maio de 2022

Sonic 2 - O Filme (avaliação sem spoiler!)

 


Se na época que o primeiro trailer do Sonic 2020, com aquele visual medonho com dentes, alguém tivesse me dito que Sonic não só seria um filme de sucesso, como dois anos depois ele teria mais uma continuação ainda mais bem sucedida, que seria o filme baseado em um jogo de vídeo game mais bem sucedido da história, eu diria que o cara é um fã fanático do Planeta Sonic, e que ele estaria num grau de desconexão da realidade além do inimaginável.


Mas não é que isso aconteceu mesmo? Após mais de 15 anos de turbulência com subidas e baixas (com mais baixas que subidas), o que acabou melhorando a imagem do personagem foram os filmes live-action. Pensando bem, isso só podia ser feito pelo Sonic mesmo.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Opinião sobre a Trilogia Espaço Morto

 


Antes de começar a falar de Dead Space, devo comunicar que como o meu blog finalmente tem uma quantidade razoavelmente decente de artigos publicados, achei que seria uma boa criar uma página com um link pra cada um dos artigos contidos aqui.


Vocês podem acessar ele por aqui. 


Os artigos também pode ser acessado clicando no "ARTIGOS" logo acima do artigo e abaixo do título do blog.


Ele contém todos os jogos, filmes e séries avaliados, além de assuntos discutidos. Tem os nomes e uma divisão bonitinha pra não deixar confuso. 

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Avaliando Prey (2006 - Xbox 360)

 



A mais ou menos uma década atrás, a Bethesda era uma empresa respeitada. Em 2011 ela tinha acabado de lançar Skyrim, e o mundo inteiro amou tanto o jogo que RPG's ocidentais se tornaram um gênero mainstream, e pelo menos todo outro gênero pegou um pouco deles e inseriu em seus jogos.


Não é como se ela fosse exatamente uma empresa boa. Ela já era conhecida por fazer jogos inacabados e bugados ainda na época que só faziam jogos pra PC. Ainda sim, naquele tempo o pessoal não se importava com isso é achava que a qualidade dos jogos compensavam isso tudo.

sábado, 16 de abril de 2022

Meus problemas com continuações/remakes de obras com vários anos

 


Essa imagem é mais ilustrativa que relevante ao assunto,  mas pois é,  foi o melhor que pensei.


Como muitos já devem ter percebidos, questões sobre remakes e continuações de séries vem sendo algo discutido a exaustão nos últimos anos. E geralmente o negócio se divide entre dois grupos. O primeiro que crítica porque acredita que a obra perderá sua essência, e as pessoas que produzem não entendem o material. E o segundo que defende pois acham que a obra receber uma repáginada para os novos tempos, pode ser uma boa, ter novas temáticas e ideias interessantes que acrescentem ao universo da obra.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Década de 2000 e coisas populares na cultura

 


Caso alguém não saiba, eu cresci na década de 2000, e apessar de ter nascido na décadade 90, eu era muito novo pra lembrar de como era. 


Foi uma década com vários eventos marcantes como o 11 de setembro, crise de 2008, invasão do Afeganistão, crise energética, Linkin Park...


Foi uma década com coisas muito tenebrosas e sombrias. 


Os anos 2000 foram uma década caótica onde todo mundo curtia tacar o foda-se em tudo. Absolutamente tudo mesmo. Se fosse pra descrever a década seria década de 90 só que ainda mais edgy e sem aquela vibe otimista sobre o futuro.


Isso refletia em tudo. Nas músicas, vídeo games, filmes, séries, TV aberta... era tudo uma putaria do caralho, mesmo no horário nobre.


Até fico surpreso como depois de uma década assim chegamos em outra onde tudo isso começou a ser demonizado (foi a Internet, mas isso é outra história).


Mas pois é. A primeira década desse novo milênio de certa forma quebrou um bando de barreiras, e muito do que a gente vive foi influenciada por coisas ocorridas nessa época. Que eu irei ignorar porque isso é um blog de entretenimento, então falarei só sobre a parte divertida da época.

Counter Strike




Sabe aquele tipo de coisa que você vê todo mundo falando e chamando os amigos pra fazer juntos, e isso incluia toda a garotada? 


CS era isso.


Esse mod de Half Life que logo em seguida foi comprado pela Valve e tornado numa franquia nova. Do jeitinho que só a Valve é  capaz. O jogo dominou as Lan houses e os computadores da época. O pessoal, todo fedido, se reunia tudo no meio de computadores para ficar xingando a mãe do outro sem dó. Enquanto você ouvia "The bomb as been planted".


Sim, experiência maravilhosa. Não vou julgar muito, eu mesmo já joguei o jogo e me divertia com ele. Até achava o jogo ultra mega realista na época (isso foi antes de eu adquirir um PS2).


Mas porque caralhos ele é tão importante pra eu comentar. Bem... como eu disse, ele era popular pra caralho, principalmente aqui no Brasil, ele foi um dos primeiros jogos competitivos online a realmente explodir em nosso país, e brasileiros até hoje são alguns dos melhores jogador de CS.


Eu até faria uma piada ligando isso a nossa alta violência, mas não pensei em nada no momento.


Ele é provavelmente a principal razão de você suportar uma criança de quatro anos berrando no microfone quando vai jogar algum jogo de tiro.


Não disse em nenhum momento que o legado era bom. 

Playstation 2




O PS1 foi um console de extremo sucesso e até chegou a ser o console mais vendido de todos por uns bons anos.


Fazer uma continuação de tanto sucesso seria complicado, mas graças a muitos esforços a Sony conseguiu fazer um console incrível e revolucionário e... foi a pirataria.


O que importa é que o sucesso do console permitiu ao console uma biblioteca de jogos gigantescas, com uns 4 mil jogos pelo que eu lembro no momento. Isso permitiu vários jogos dos gêneros e estilos mais diferentes que você poderia imaginar, sendo terreno fértil para jogos para as pessoas com gostos malucos que estariam satisfeitos em criar uma esfera gigante que consome absolutamente tudo na sua frente, de cachorros, a moedas, prédios, até  montanhas. Ou aquele cara que comprava algum Winning Eleven.


E isso é o que torna o PS2 um console tão bom. Empresas menores ainda conseguiam competir com as grandes na produção de jogos, jogos complexos para jogadores que buscavam desafio tinham seu espaço do mesmo jeito que quem buscava uma experiência mais simples e divertida também podiam.


Ele realmente é a cara da verdadeira diversidade, não o mesmo jogo que tenta apelar pro menor denominador comum como quase todo jogo AAA atual, que tenta ser mais um filme de Hollywood. Eram jogos, feitos para todos os jogadores, por produtoras com mentalidades e ideias bem distintas.

Gta San Andreas




Enquanto CS foi o jogo pra quem tinha PC e jogava online, GTA:SA foi o jogo para os jogadores de console.


Não tinha absolutamente uma alma nesse planeta que não tivesse esse jogo no seu PS2. As aventuras de CJ no estado de San Andreas, lidando com gangues, mafiosos ou a polícia, enquanto atropela vários pedestres e espanca uma pobre velhinha ali na calçada.


Esse jogo oferecia uma liberdade absurda e um mapa gigante para explorar. O pessoal delirou com o quanto os vídeo games seriam capazes a partir daí.


Não apenas o jogo em si trabalhou em sua grande reputação, os brasileiros tiveram uma grande participação nessa empreitada. 


GTA: Rio de Janeiro, Dragon Ball, Sonic, GTA 4... o pessoal criou um cambada de versões bizarras do jogo, que me impediam de jogar a campanha, um deles nem tirava a barreira para San Fierro e Las Aventuras. Foda.


E surpreendente continuam até hoje. Mostrando que o pessoal ainda se importa com esse jogo de uma época que a Rockstar não ficava só sugando GTA 5 ao infinito.


O legado dele foi uma amostra de até onde os jogos podiam chegar e criarem um mundo imersivo que poderiamos ter uma segunda vida.


E também foi uma forma da popularizar jogos pra quem não tinha muito interesse no gênero, e junto com os jogos de futebol, reduziu a ideia que video games eram só pra nerds.

Naruto




Enquanto a década de 90 foi marcada pelo inicio dos animes do Brasil, tendo Dragon Ball e Cavalheiros do Zodíaco como rivais. Na década seguinte Naruto conseguiu esse espaço todo pra si. As Aventuras de crianças ninjas que usam roupas coloridas, e bem ocasionalmente utilizam truques que podem ser considerados de um ninja dominou a década. 


A razão tá no fator emocional. Dragon Ball podia ser resumida como lutas absurdas e brutais, e Cavalheiros apessar de ser mais emocional com os personagens e temas, não era algo que atraia tanto a garotada.


Naruto é uma história sobre crianças atravessando dificuldades e amadurecendo no processo (isso funciona com a garotada), oferecendo soluções e lições sobre problemas que estão lidando.


E isso meio que se tornou padrão nos shounens. Criança merda que quer mais na vida, e começa a lutar pelos seus sonhos, enquanto vai conhecendo e compartilhando bons momentos com outras crianças que passam por dilemas parecidos.


É só olhar pra Boku no Hero.


Claro, esses shounens estragam isso geralmente tornando secundários cada vez menos relevantes,  enquanto dão benefícios mais estúpidos para o protagonista e o rival babaca dele. Tornando tudo no final explosões e lasers coloridos.


Talvez não tenha sido uma boa mudança.


Ele também nos deixou a melhor luta do planeta. Rock Lee VS Gaara com Linkin Park tocando no fundo. O que raios representa mais essa época que isso???

Filmes de super heróis




Numa época pós-MCU pode ser complicado imaginar uma época em que filmes de super heróis não eram a coisa mais legal do universo. Mas por mais impossível que possa parecer, essa época existiu.


Eu sei que o MCU tornou super herói a coisa mais popular e a principal razão do pessoal ir no cinema. Mas foi a década de 2000 que começou a torná-los realmente interessante.


Filmes de super heróis no século 20 eram geralmente motivo de piada e ninguém levava eles a sério, principalmente porque os efeitos especiais eram muito limitados na época. 


Possivelmente os únicos filmes de herói que deram relativamente bem foram os dois filmes do Batman feitos pelo Burton, os dois filmes do Superman feitos por Richard Donner (o Superman com o Christopher Reever caso vocês não saibam), e o filme do Blade em 98.


Tirando esses daí, todo o resto foi caçoado ou absolutamente ninguém ligou pras suas existências.


Mas eis que chega o ano 2000 com um filme chamado X-Men, que consegue se sair muito bem na bilheteria e as coisas começam realmente a chegar em algum lugar. 


A Sony lança uma trilogia do Homem Aranha, dirigida por Sam Raimi, que deu ainda mais certo que o X-Men. 


É lançado Batman o Cavalheiro das Trevas que muitos consideram até hoje um dos melhores filmes já produzidos.


E é iniciado o MCU, com o filme do Homem de Ferro e Capitão América, que foram bem recebidos e na próxima década levariam a um universo cinematográfico absurdamente popular.


Eu diria que a grande razão disso ter acontecido foi que na época a CGI finalmente começou a se tornar decente e acessível o bastante para recriar os absurdos que os super heróis são capazes de fazer sem parecer algo ridículo e vergonhoso. 


Imagine os filmes do Aranha com os efeitos do seriado da década de 70, e você verá do que raios estou falando.


O que importa é que foi uma época que esse tipo de filme de super herói tavam tendo tanto destaque quanto outros gêneros sem ser abusado sem dó como veio a ser na década seguinte.


Orkut





A ideia de comunidades online era intrigante. Eu que curtia uma série podia buscar por outras pessoas que têm interesse nesse assunto, e ainda poderia expressar minha opinião? Legal pra caralho!


E na década de 2000, o Orkut foi a rede social mais popular entre os brasileiros. Até lembro de uma notícia sobre americanos questionando porque caralhos tinha tanto brasileiro naquela merda, já que lá em 2004 os brasileiros chegaram a representar mais de 40% do total de usuários. Chegamos a ter até uma sede da empresa aqui no Brasil pelo sucesso estrondoso dela nesse país.


Eu não sei exatamente porque o Orkut deu mais sucesso que o Facebook aqui no Brasil, já que o mesmo já existia até antes do Orkut, talvez as comunidades mais isoladas tenham atraído mais os brasileiros.


Indo para o que importa, o Orkut foi um sucesso da porra e praticamente introduziu o povão para a ideia do que raios era uma rede social e todos os seus prazeres. As pessoas podiam se comunicar com o amiguinho,  fazer novos, e inclusive utilizar a ajuda deles em jogos online, como o Mini Fazendo ou Cafe Mania (você era obrigado a ter amigos nisso caso não quisesse gastar dinheiro real pra não viver num cubículo).


E principalmente, você tinha a liberdade de falar merdas que nunca diria na vida real. Mandar alguém tomar no cu, reclamar que a franquia que tu amava tava na merda e zuar os fanboys, rir de piadas de humor negro que fariam sua família ficar envergonhada de você, ver putaria, e não menos importante, seguir alguma página sobre gatinho, porque ver esses bichanos sendo fofos e bobos reúne a todos. 


Orkut representava uma época onde a Internet era mais divertida. Yeah... era bem escroto dependendo de onde você se metia, mas ao menos não tinha gente tentando cagar regra sobre como você e outras pessoas deveriam seguir tudo que ela acredita (pelo menos que não fosse da própria comunidade).


E bem... um dia o Orkut morreu em 2014. Verdade seja dita, pessoas velhas começaram a saltar forte para o Orkut, e os jovens como não queriam conviver com eles foram para o Facebook continuar suas demências de jovem, e os adultos fizeram o mesmo, e os jovens foram pro WhatsApp. E essa é a história.


Mas isto foi uma consequência de outra coisa marcante ocorrida dessa época.

A Internet se torna popular




A Internet já existia na década de 90 e podia ser acessada por cidadãos comuns, mas era limitado pra um caralho.


As pessoas tinham que utilizar Internet discada, sabe que porra é isso? Sua Internet ocupava a porra da linha telefônica e a velocidade era tão merda que levava horas pra baixar uma única música. 


Eis que chega os anos 2000 e a banda larga se torna uma coisa. Você não apenas agora não precisaria esperar horas pra sua internet baixar a música, como agora poderia ver um vídeo naquele exato momento,  ou jogar um jogo online com outras pessoas, baixar o joguinho pirata que você com certeza vai dizer que não fez, mas fez.


O céu era o limite! Desde que o vídeo tivesse resolução em 240p no máximo.


Mas é, graças a isso pessoas de regiões distintas tavam podendo se conectar alegremente, discutir em fóruns sobre assuntos de interesse, postar merda em algum lugar e rir com o pessoal.


Era uma época mais inocente na rede, tudo parecia estranho e incrível naquele momento. Ninguém se matava pra defender o político que ama, ou reclamar que o mundo inteiro é injusto apenas pra ganhar like. 


E isso leva a outro ponto importante dessa década.

A última década antes da Internet sugar nossas vidas




É, eu sei que parece contraditório com o item anterior, mas eu prometo que isso vai fazer mais sentido.


O uso da Internet na década de 2000 era mais doçado, ninguém tentava usar ela como uma substitua pra sua própria realidade, era um espaço que perdíamos um tempo pra descontrair ou auxiliar em algum trabalho e depois voltavamos pro mundo real. Ninguém mexia nela esperando ficar famoso ou pra fugir de todos os problemas. 


O pessoal realmente perdia mais tempo brincando com os amigos ou conversando direto um com o outro, pra dialogar, ao invés de simplesmente reclamar e bloquear depois de receber respostas que não gostou. As pessoas descobriam as coisas mais naturalmente ao invés de receber de mão beijada tudo que quer saber na palma de sua mão.


E esses tempos provavelmente nunca mais voltaram, o mundo inteiro depende desse serviço, e praticamente todos utilizam ela. Querer viver sem é praticamente implorar pra viver isolado. 


Não vou demonizar completamente, eu mesmo uso pra uma caralhada de coisa, e reconheço que facilitou muito minha vida em trocente aspectos.


Só sinto falta daqueles momentos em que você podia ficar em casa,  se isolar do mundo sem ficar ansioso sobre receber alguma mensagem no celular.

Lost




Vocês sabiam que antes do JJ Abrams cagar Star Wars e infurecer seus fãs, ele fez uma série de sucesso com um final terrível que imputeceu todos os seus fãs?


JJ Abrams prova que as vezes o tempo não muda as coisas.


Antes de Game of Thrones e sua putaria, mortes e intrigas políticas, ou Breaking Bad e sua história de um professor de química vendendo metanfetamina em parceria com um jovem. Os telespectadores perdiam tempo vendo um grupo de sobreviventes de um acidente aéreo tentando sobreviver em uma ilha isolada no meio do nada.


Geralmente o pessoal lembra dessa série como "o início foi legal pra caralho!" e "Porra! Que final mais merda!". E é  fácil  entender isso.


Apessar da ideia da série não ser exatamente original, na verdade bem longe disso, ela era até bem produzida pra época, e os personagens até tinham umas intrigas e umas histórias de origem bem dramáticas e com um tom de mistério interessante envolvendo a maioria deles.


Por que raios o careca age como se nada importasse? Ou qual é o problema desse casal japonês?


Essa série sabia criar uns dúvidas interessantes.


Pena que quando se tratava de responder elas, já era uma história completamente distinta. 


Digamos que JJ Abrams fez o que sempre faz em todas as suas obras, vai jogando um milhão de coisas que parecem interessante e intrigante, mas quando tu pensa bem, aquilo não só não faz sentido, como contradiz uma porrada de fatos já estabelecidos na obra.


E isso resumiu a cagada do final, e na minha opinião de praticamente toda a série, ela não tinha nada realmente sólido na trama principal, eram pequenas revelações que podiam significar milhões de coisas que eram reveladas depois que você já esqueceu e que não apenas era estúpido, como faz você simplesmente ir ignorando cada vez mais porque a série tenta revelar para o telespectador. Perdendo todo o impacto.


Essa série representa bem o estado dos grandes filmes de Hollywood. Parece legal, bem produzido, mas nada realmente justifica o que tá acontecendo.

Matrix





Eu sei que Matrix é de 99, mas vai por mim, essa porra era referenciada e enchiam o saco sem dó. 


Até analogia com a caverna de Platão fizeram com esse filme. 


Como muita gente da época deve lembrar, Matrix é a trama sobre um hacker chamado Neo, que entra em contato um criminoso chamado Morpheus. Andando mais pra frente na trama, Neo descobre que vivia numa realidade virtual e que nós humanos eramos basicamente pilhas pra um bando de máquinas.


Tinha efeitos bem legais e umas lutas memoráveis, mas o que acaba sempre acontecendo é que alguém vinha tentando parecer um gênio explicando o que a cena da pílula azul e vermelha queria dizer (como se não fosse óbvio), ou que a realidade virtual era uma analogia com nós vivemos numa realidade onde somos bombardeados com notícias falsas para nos mantermos mansos e não nós revoltados contra esse sistema corrupto e cruel, que também não exigia ser um gênio pra sacar.


Mas é, Matrix expirou um bando de pseudo-intelectuais a encher o saco de todo mundo com questionamentos bem mais rasos do que eles acreditavam que era.


Isso fica mais hilário quando se lembra a qualidade bastante duvidosa de suas continuações, principalmente o recém lançado quarto filme, e ver eles inventando cada teoria maluca pra justificar a porrada de coisa mal explicada ou sem sentido na franquia.


Matrix era o filme perfeito pra uma época onde rebeldia e o caos era a moda, explicando bem o sucesso que a franquia teve.

Decadência na animação




A década de 90 é considerada por muitos a melhor época da animação, no mínimo um dos melhores períodos na área.


Se for lembrar bem, grande parte dos desenhos da década de 80 eram "duvidosos" em sua qualidade. Geralmente tendo um enredo bem estúpido e humor que acabava vindo mais dessa falta de competência que de qualquer outra coisa.


Teve umas obras legitimamente boas como Thundercats, no entanto, a imagem da época era mais Transformers G1, que inclusive teve uma nova série na década de 90 que era bem melhor.


Quando a década de 90 chega, Tiny Toons, prova que desenhos com grande investimento e humor inteligente podiam dar certo. E a série animada do Batman prova que tramas maduras é pesadas funcionam com a criançada.


E daí tivemos o DCAU, as trocentas séries da Marvel, a WB fazendo uma porrada de animação na linha de Tiny Toons, a Disney com seus milhares de desenhos com patos graças a Duck Tales. 


Até canais focados só no público infantil como o Fox Kids e o Cartoon Network vieram a ser criados na época, e canais como a Nickelodeon que já existiam a mais de uma década começaram a investir em animação.


Some isso tudo mais a vinda de animes ao ocidente e você entenderá porque caralhos o pessoal ama tanto essa década.


Mas eis que Pokémon chega no ocidente e se prova um puta de um sucesso. E isso sem as donas desses canais de animação terem que gastar caro com a animação dos seus desenhos. 


E como podem imaginar, eles tiveram a ideia que importar desenhos na tentativa de economizar nessa área, piorando a qualidade dos desenhos. 


Quando chega a segunda metade da década de 2000, eles decidem que animação não era mais interessante, e que sitcoms ou outras séries com adolescentes era o futuro! E nem eram sitcoms bons como Um Maluco no Pedaço.


Não que ainda não fossem produzidos animações nessa época, O Espetacular Homem Aranha e Transformers Animated saíram nesse período, e apessar do traço estranho pra facilitar a animação das cenas, eram séries legitimamente bem escritas.


Mas não era o mesmo de antes. Um canal chamado Cartoon Neteork não deveria passar série live-action, tem cartoon no nome, pelo amor de Deus!


Mas esse parecia que ia ser o rumo da indústria, até que as aventuras de um garoto e cachorro que estica acabaram dando bastante sucesso, provando que animações ainda atraiam a garotada.

Conclusão 


Com certeza tem uma porrada de coisa da época que me esqueci ou não tive saco de procurar. Quem sabe pra uma possível parte 2?


Agora, eu sei que alguns devem pensar que tudo que falei foi por nostalgia, e que estou enxergando essa época pelos filtros errados, o que definitivamente pode ser o caso em alguns dos itens.


Mas, o que eu posso fazer? Eu não tenho uma máquina do tempo e a década de 2000 foi a mais de uma década, minha memória não vai lembrar de tudo. E apessar das várias informações e vídeos da época, isso só ajuda a dar uma ideia de como era.


Mas é uma época que guardo com carinho, apessar de achar o jeito edgy dela tosco, ele é até divertido observando hoje em dia. E acima de tudo, eu acho que quem viveu nessa época terá mais coisa pra se orgulhar e lembrar com carinho do que o que acabou saindo na década de 2010 que honestamente tudo que conseguiu pensar é MCU e maior acessibilidade (que as décadas seguintes seram melhores nesse aspecto).


Eu acho que o que tenho pra concluir sobre isso é que eu sinto falta de cada década ter uma identidade própria, um evento cultural que vai marcar muito como o período é e como as coisas vão ser, onde criatividade e ideias inovadoras estavam surgindo. E os últimos anos só parece se basear em encontrar formas mais eficientes de fazer o que já sabiamos, mas isso talvez só seja impressão.


Como sempre, obrigado por terem lido mais um artigo, e espero concluir o próximo até o fim dessa semana.


Tenha uma boa semana.